Designer de Games

Dia desses assisti um documentário sobre a área de games e fiquei boquiaberto. Primeiro pelo valor de cada investimento, e segundo, pelos lucros que um jogo pode gerar. Ora, se os investimentos são altos e os lucros também são altos, chegamos a uma conclusão óbvia – os profissionais do segmento ganham bem.

Hoje a indústria de games fatura mais que a indústria cinematográfica, sim, fatura mais que um super filme de Hollywood.

No Japão e nos Estados Unidos, os profissionais de games estão sempre em evidência e, segundo dados, o mercado é carente de mão de obra especializada. Muitos profissionais desses grandes centros são importados de vários países, inclusive o Brasil.

Mas e o Brasil, como está nessa empreitada?

O Brasil está na mira dos grandes estúdios de games. O motivo é muito simples: somos um dos países que mais consome games no mundo e, onde há consumo, há pessoas interessadas no desenvolvimento, e é sabido da criatividade que nós, brasileiros, possuímos.

Segundo informações confidenciais, não posso revelar a fonte e nem outros dados, a direção de uma grande empresa do gênero alimentício está “bancando” o desenvolvimento de um jogo aqui no Brasil. Ora, ora, ora, uma empresa do ramo alimentício – por que? Penso que ela acredita no retorno e penso também que ela tem os canais da parte mais difícil do negócio: a distribuição.

Muitas informações, boatos, dados e etc., circulam pela área, mas temos que pensar que até o ano de 2020 nosso país é a bola da vez e isso é fato, independentemente da área que for, seja ela na construção civil, na telefonia móvel, na comunicação, enfim. Mas vamos retornar ao foco.

O videogame surgiu em 1958, mas não quero contar a história. Se você quiser conhecer – acho importante – acesse a Wikipédia (esse link ativa direto toda a história do videogame).

Vamos falar de possibilidades de trabalho.

A área de games tem três áreas distintas: roteiro, arte e desenvolvimento.

Como nosso interesse é a área de arte, vamos nos concentrar nesse segmento, embora mais para frente desse texto, farei algumas considerações sobre a área de desenvolvimento.

ROTEIRO

É a área mais carente no mercado mundial, sim, mundial. Mas afinal, o que faz o roteirista?

Um roteirista não precisa entender nada de arte ou de desenvolvimento. Normalmente esse profissional é um apaixonado por games, e tem uma qualidade especial: idealizar o jogo.

O roteirista tem uma idéia sobre um determinado assunto – mitologia grega, por exemplo. Então esse profissional lapida essa idéia, cria uma estrutura, uma história que o jogador terá que desvendar ou participar. Escreve como o jogo irá se desenvolver, quais são os cenários, personagens, tipos de ação, enfim, narra como o jogo será. Isso é tarefa difícil, há que se ter uma boa dose de conhecimento, de informações e também como escrever tudo isso numa sequência clara e lógica. Tem muito mais que isso, mas em linhas gerais é isso.

CONCEPT ART

Para quem gosta de desenhar, essa é a área mais interessante, e ela pode ser explorada de várias formas.

A arte conceitual (concept art) precisa que o profissional seja desenhista, dos bons. E esse desenhista pode ser genérico, cuidando de toda a concepção artística do jogo, ou um especialista. O especialista pode seguir três caminhos: cenários, utensílios ou personagens.

Arte conceitual do jogo Assassins Creed

Cenários

Tomando nosso exemplo (mitologia grega) como referência, como desenhar os cenários? É necessário efetuar muitas pesquisas em enciclopédias, obras de arte enfim, tudo que houver de referência deve ser analisado, computado e finalmente criar-se cenários inéditos, exclusivos, mas tudo calçado naquilo que já se tem como efetuado pelos grandes artistas.

– Mas eu não posso inventar tudo?

– Não! Como você pode ir contra milhares de anos de história? Você não é um dos deuses do Olimpo. Além disso, a Grécia ainda existe, apresentando sua arquitetura, sua geografia, sua história.

Utensílios

Os utensílios permitem uma riqueza criativa sem igual. Seguindo nosso exemplo, esse desenhista deverá criar os sistemas de transportes (bigas, cavalos alados?), as armas e objetos que interagem no jogo. O desenhista de utensílios poderá trabalhar em conjunto com o desenhista de cenários, um dedicando-se mais a arquitetura, aos prédios, as paisagens e o outro, inserindo detalhes, decoração, enfim, temos muito trabalho pela frente.

Personagens

Essa é, particularmente, para mim, uma área fascinante. Cresci estudando grandes mestre da arte fantasia, como Frank Frazetta, Boris Vallejo, Chris Achilleos entre outros. Criar um personagem é mágico, não apenas pelo seu aspecto físico, sua vestimenta, sua espada com um cabo personalizado, mas também transmitir no desenho sua personalidade. Ele é do bem? Do mal? É o herói ou vilão? Gosto de pesquisar personagens nos grandes filmes que as várias escolas do cinema nos apresentam ou já apresentaram. Mas gosto também de pesquisar no trabalho dos grandes mestres da pintura, conhecidos ou ilustres desconhecidos. Toda fonte de pesquisa me é válida.

STORYBOARD

Aqui temos que viajar na mente do roteirista. O desenho de storyboard não precisa ser exatamente uma obra de arte, embora, para apresentar um projeto a um investidor, pelo menos algumas pranchas têm que ser muito bem elaboradas. Imagine um jogo com 30 fases. Quais são as visualizações, os enquadramentos possíveis. Qual enquadramento trará maior dramaticidade para a ação?

Já vi storyboards criados apenas com bonecos palitos. Sim, aqueles que todo mundo sabe desenhar. Mas eles foram construídos assim não pela incapacidade do desenhista, mas pelo tempo curto de produção e, mesmo com bonecos palitos, os enquadramentos eram perfeitos, dramáticos e envolventes.

MODELAGEM

A modelagem é uma área bem complexa. Ela facilitará todo o trabalho dos profissionais de animação e da engenharia do jogo.

Modelagem em Clay

A modelagem em Clay (uma massa especial) ou em argila é a arte da escultura. O trabalho do artista conceitual começa a ganhar forma tridimensional e, essa etapa é necessária para facilitar o próximo passo do processo: a modelagem digital.

Com a modelagem em Clay é possível efetuar a visualização tridimensional daquilo que era bidimensional. As vestimentas, armaduras, armas, capacetes, enfim, os detalhes do desenho auxiliam a estudar a mobilidade do personagem.

O modelador ou escultor é um profissional muito raro, principalmente nos dias de hoje, onde muitos pensam que tudo se resolve com um software. Alguns produtores pulam essa etapa, mas pense comigo, quando você tem tudo dentro do computador, você não tem nada. Está tudo ali no virtual. Se você não teve tempo de fazer um backup e o seu HD “dá pau”, você não tem nada. Tanto os desenhos efetuados anteriormente como as esculturas dos personagens e até mesmo de alguns cenários, são o registro físico, realístico, daquilo que você está projetando. E, no futuro, essa modelagem poderá ser transformada em brinquedos ou objetos de ornamento que poderão ser vendidos em lojas especializadas sobre o segmento.

Modelagem feita pela modeladora alemã Anna Timm

Modelagem Digital

A modelagem digital inicia o processo de concretização do desenvolvimento do jogo. Hoje temos vários softwares de modelagem digital e, entre eles, podemos falar do ZBrush. Esse software trabalha de forma muito parecida com a modelagem artesanal – você literalmente aplica massa, remove massa, distorce massa e vai trazendo a idéia para o mundo virtual.

Utilizando a modelagem artesanal como referência, o trabalho é rápido e preciso. Muitos modeladores artesanais acabam trabalhando também com a modelagem digital, pois durante o processo podem fazer pequenas modificações no projeto original – claro que para isso é necessária a aprovação do diretor do projeto.

Bem, acho que por ora está bom. Ainda na parte artística, ainda teremos que falar sobre som, efeitos sonoros, trilha sonora e falas, se forem necessárias, outro universo fascinante. E também temos todo a parte de design para CD ou DVD,  e do filme de animação para promoção do jogo. Como vocês podem observar, a área de design de games tem muito trabalho para nós designers.

OUTROS JOGOS

Mas eu não poderia finalizar esse post sem falar de outros jogos, sim, outros jogos que necessitam de arte tanto quanto os jogos para videogames.

Existe um determinado tipo de família que ainda se preocupa com o raciocínio intelectual de seus filhos, assim como existem pessoas que não gostam de videogames. E, os jogos tradicionais não morreram. Quer ver?

– Que tal uma partida de truco com os amigos? Dá para jogar sem as cartas, sem as porradas na mesa e aquela gritaria característica desse jogo caipira?

Ok, as cartas de baralho já tem um design bem definido e há pouco o que se fazer para modificá-las. Concorda?

Você já viu as cartas de Tarô? E as cartas dos jogos de RPG? Banco Imobiliário?

Ah, recentemente fiz um trabalho onde utilizei como referência analógica o jogo de xadrez. Você já parou para observar a variedade de peças que existem nos jogos de xadrez?

Então, preste atenção! O mercado de videogames é uma excelente opção para nossa colocação como profissionais de design, de ilustradores, de artistas, mas não feche os olhos para os outros jogos. Sua criação e desenvolvimento é um universo tão rico quanto o oferecido pelo mercado de videogames.

Pense nisso!  Think different! Como diria meu grande amigo Steve Jobs.

Game Over!

Eduardo Engelmann